WORLD PRESS PHOTO e o 7º PRÉMIO DE FOTOJORNALISMO VISÃO/BES

Fui ver o World Press Photo e o 7º Prémio de Fotojornalismo Visão/BES, na sexta-feira passada e voltou a acontecer-me o que sempre me acontece todos os anos.

Fico num misto de sentimentos e emoções contraditórias: fascínio, admiração, inadequação, usurpação, imoralidade, por vezes, náusea. Ainda não conseguir definir o que, de facto, penso deste acontecimento fotojornalístico.

Se por um lado, reconheço a relevância do esforço de cada um destes repórteres para dar a conhecer as atrocidades praticadas por esse mundo fora, por outro lado, não sei se será muito legítima a “usurpação” destas imagens, captadas com um determinado fim - o de informar, o de dar a conhecer, em meios de comunicação específicos(imprensa, televisão) -, para outros fins, nomeadamente, prémios e mostras de fotografia.

Custa-me pensar que aquelas são situações reais, que existem pessoas que passam diariamente por aquilo, e que, deste lado do mundo, existem outras pessoas a “lucrar” com isso.

Não quero com isto diminuir, de forma alguma, o mérito destes repórteres de imagem, que arriscam, por vezes, a vida para nos dar a conhecer estas realidades. Nem estou, aqui, a negar a qualidade técnica e informativa destas imagens. Mas não posso deixar de partilhar estas minhas angústias. Será correcto? Teremos esse direito?Secalhar estou a ser demasiado moralista… Mas serei a única com esta sensação de esquizofrenia emocional?!?!
;P

BERARDO VERSUS ELLIPSE - A necessidade de um “reminder” contínuo e eficaz.

Na quarta-feira passada, dia 15 de Agosto, feriado, fui (finalmente!) ver o Museu Berardo.
Como boa tuga que sou, pensei: - Deixa-me cá aproveitar a “borla” enquanto há! Levantei-me cedinho e fui tomar o “piqueno”-almoço ao CCB: um croissant misto e uma meia de leite (sim, porque artista plástico que se digne, já não bebe galão!) ;)Já com o estomâgo aconchegado, lá me dirigi para o museu, decidida a alimentar o espírito também.

Há cerca de um ano (9 de Abril de 2006) expressei aqui o meu agrado ao ver a afluência de público na exposição de Frida Kahlo, afluência essa que também se verificou numa outra exposição na Gulbenkian (Amadeo de Souza Cardoso).
Pois, na quarta-feira de manhã:

- Dia Feriado,
- Agosto,
- Pleno Verão,
- Período de férias,
- Época de praia,

o Museu Berardo estava apinhado!!! Fiquei verdadeiramente orgulhosa do meu PORTUGAL!

É verdade que não se paga.

É verdade que português que é POR-TU-GUÊS, até choques eléctricos leva, desde que sejam gratuitos, oferta ou à borlix…

Mas cultura num dia de praia… :)))))))))))))))

O “pobão” está mesmo a mudar…

Claro que ajuda muito (mesmo muito!) o facto do Sr. Comendador Joe Berardo estar constantemente nas graças da Comunicação Social! E também ajuda o facto do senhor ser benfiquista, afinal somos mais de 5 milhões!

Até aproveito aqui para sugerir ao CCB, que nas estatísticas do Museu Berardo considere a percentagem de benfiquistas que visitam anualmente o museu. Acho que vão ficar impressionados! E já agora sugiro ao Benfica que faça alguns estágios nas instalações do CCB. Um pouco de cultura, também trabalha o músculo dos nossos atletas (outro tipo de músculo, claro; mas não obstante, músculo!)

À parte da grande maioria dos visitantes ser (provavelmente) benfiquista, acho que, como referi, o facto do nome “Berardo” ser constantemente mencionado nos jornais, na rádio e na televisão, deve ter ajudado a colocar na mente dos portugueses a mensagem subliminar: “ir ao Museu Berardo” (qual lista de compras - batatas, ovos, leite e…. ir ao Museu Berardo”).

Contudo, a minha euforia com a “auto”-iniciativa dos meus conterrâneos desmoreceu, ligeiramente, quando no Sábado passado, após uma visitinha ao CascaiShopping, decidi dar um pulinho à Ellipse Foundation, que fica nas redondezas.
Contrastando com a enchente com que tinha sido confrontada ainda há uns dias atrás, na fundação a única visitante era… EU. Eu e o meu companheiro de vida e destas lides que, por força de se ver levado a acompanhar-me nestas minhas andanças, já vai tendo alguma bagagem da coisa, qual expert.

Então, ali estavamos nós os dois, numa imensidão de armazém… nós e o ecoooooooo…

É verdade que a fundação também teve alguma divulgação na Comunicação Social, mas esta não se compara com o mediatismo do J.B.

Por isso, estou aqui hoje para fazer um apelo e para dar algumas informações.

Caros concidadãos,

Vão à Ellipse Foundation! Além de uma excelente colecção, para que seja um aficionado de arte contemporânea (acho que aqui se justifica o uso de linguagem de cariz futebolístico), também é à borla, ou melhor, a entrada é €5 que reverte a favor de crianças desfavorecidas, mas só contribui quem quiser.
Se, por acaso, for daqueles que tem vergonha de entrar à “muá” e se sentir levado a pagar, pode sempre pedir um recibo, comprovativo da sua contribuição, que lhe trará benefícios fiscais no IRS.

Assim sendo, não tem razões para não ir fazer uma visita à fundação. E, por via das dúvidas, vá de cor-de-rosa, não se vá dar o caso de encontrar algum aficionado por lá.

Inté.